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Grupo Procter & Gamble muda comando no Brasil em fevereiro
Fonte: Valor Econômico
Notícia publicada em: 12/01/2018
Autor: Alexandre Melo e Adriana Mattos

A fabricante americana de bens de consumo Procter & Gamble (P&G) trocará o comando da operação no Brasil a partir de 1º de fevereiro. A brasileira Juliana Azevedo, que está há 22 anos na companhia e atuava como vicepresidente global de cuidados femininos, vai substituir Alberto Carvalho, que ficou cinco anos na presidência. Pela primeira vez, uma mulher vai dirigir a companhia, que no segundo semestre de 2017 passou por problemas internos, com gastos acima do previsto.



O anúncio da escolha da brasileira foi feito internamente anteontem. A empresa informou ontem que Carvalho deixa a companhia por "motivos pessoais", sem detalhar a questão. Ele ficou 26 anos na multinacional e está à frente da subsidiária desde dezembro de 2012.


Segundo a revista "Valor 1000", em 2012, a P&G fechou o ano com receita líquida de R$ 3,3 bilhões no Brasil. Em 2016, último dado levantado pela publicação, a soma foi de pouco mais de R$ 2 bilhões. A empresa não informa os resultados por país.



Os números da empresa no ano passado foram afetados por um excesso de gastos não previsto, além do cenário econômico recessivo. O Valor apurou que a Procter & Gamble enfrentou uma disparada em sua linha de contas a pagar no orçamento de 2017, por conta de uma escalada nos valores empenhados como verbas com mídia, pagas ao varejo.



O que ocorre nesses casos é que a indústria tem um limite de verba a liberar, a depender do contrato com as redes varejistas, mas a loja pode pedir um ajuste nos valores. Isso muitas vezes é definido informalmente, junto à área comercial da empresa, e ao fim de uma ação promocional, por exemplo, há uma acerto. Se a verba sobe demais para várias redes, isso pode estourar o orçamento previsto.



Segundo uma fonte a par do assunto, essas verbas ficaram acima do limite definido por meses consecutivos e atingiram cerca de R$ 100 milhões, apurou o Valor.



No fim do ano passado, após identificar o problema, a empresa decidiu frear a liberação de verbas ao varejo, com efeito sobre negociações com várias varejistas ouvidas ontem pela reportagem.



O estouro nos gastos foi inicialmente informado em novembro pela revista "Exame". Na segunda metade do ano, houve mudanças na área de vendas da empresa, com a entrada de um novo diretor para o departamento em agosto.



Procurada, a companhia informou em nota, que "num processo de revisão interna de rotina identificou gastos acima do previsto em uma das áreas da operação brasileira". Acrescentou que Carvalho pediu uma revisão dos processos para entender melhor o que estava ocorrendo. "A revisão identificou que esses gastos não seguiram as políticas da empresa". Ainda de acordo com o comunicado, a P&G tomou medidas "para garantir adesão às políticas existentes e para evitar que situações similares aconteçam no futuro".



A companhia afirma que "a questão identificada" não teve impacto significativo nos resultados financeiros. Nos últimos balanços financeiros da P&G no mundo não há informação sobre eventuais aumentos de gastos com a subsidiária brasileira.



Nos primeiros 15 anos de companhia, a nova presidente da empresa trabalhou no Brasil, na área de cuidados femininos e cuidados com o bebê.



Em 2013, Juliana foi promovida à vice-presidente de cuidados com a beleza para a América Latina e dois anos depois assumiu o comando global dessa divisão nos Estados Unidos.


No primeiro trimestre fiscal encerrado em setembro de 2017, a dona de marcas como Ariel, Gillette e Pampers obteve lucro líquido atribuído aos controladores de US$ 2,85 bilhões, crescimento de 5% quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

 



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